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Senhor, o que queres que eu faça?

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível."

A frase acima é atribuída a São Francisco de Assis, um dos maiores santos da Igreja Católica e principal inspiração da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, entidade criada em Jaci e que tenta seguir à risca o ideal franciscano.

Tudo começou com o sonho de um jovem inquieto, nascido numa família de classe média, inspirado por São Francisco e disposto a seguir seu exemplo. Ainda criança, Nélio Joel Angeli Belotti – Frei Francisco - decidiu que iria ser padre. A história do santo de Assis o impulsionava e fez com que ele entrasse para o Seminário Diocesano de São José do Rio Preto (SP). 

Primeiro, quis tratar da hanseníase e viver como o pobre de Assis. Durante um retiro espiritual, chegou a compartilhar esse sonho com um pregador. Qual não foi seu espanto quando ouviu que a lepra de nosso tempo não era a mesma da época de São Francisco. Assim, o homem o aconselhou a meditar em abraçar a lepra dos dias atuais.

Entendeu que a doença já não era tão assustadora como séculos atrás. Era um problema passível de ser tratado em qualquer posto de saúde, com antibióticos. Em vez da lepra, Frei  Francisco resolveu que lutaria para curar um mal que, nos tempos modernos, aterroriza famílias de todas as classes sociais: a dependência química.

Nascido em 5 de julho de 1960, Nélio foi ordenado padre diocesano em 21 de dezembro de 1984, com apenas 24 anos de idade e um grande caminho a trilhar. Do desejo de viver radicalmente o sacerdócio, seguindo os passos do santo, nasceu a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus. Trocou a batina pelo hábito de frei. Dizia que cada ordem tem um carisma e o carisma franciscano é a caridade.

Depois de ordenado, o Bispo Dom José de Aquino Pereira, então no comando da Diocese de São José do Rio Preto, perguntou para onde ele queria ir. O jovem padre respondeu que gostaria de ser enviado para onde ninguém mais queria. Dom José o enviou então para a pequena Jaci, a 485 quilômetros da Capital. Lá, padre Nélio dividia-se entre serviço aos fiéis das paróquias de Jaci, Mirassol e Nova Aliança e a concretização do sonho.

Não tinha ideia de como iria fazer. Só sabia que queria tratar dos dependentes químicos. A cidade, nessa época, contava com menos de 3.000 habitantes e uma população disposta a ajudar. Foi assim, contando sempre com o trabalho voluntário, doações e acreditando na Providência Divina que tudo começou. “Quando a gente vira frei, se despoja até do nome. Foi o bispo Dom José quem me deu o hábito marrom e o nome de Francisco”, afirma. “A lepra era símbolo de maldição e pecado. São Francisco quebrou esse estigma e abriu casas para cuidar dos doentes. Ser franciscano hoje é querer abraçar as lepras deste século: as drogas, o alcoolismo, o marginalizado, o excluído, o deficiente, o menor abandonado, enfim, tudo o que  compõe a exclusão.”

Frei Francisco partilhou com a comunidade o seu desejo e recebeu apoio. Recebeu a doação de um terreno de três alqueires para iniciar o trabalho. A partir daí, foram inúmeras campanhas, mutirões e almoços beneficentes para arrecadar dinheiro, sempre acreditando que Deus proveria as necessidades. Além da infra-estrutura, Frei Francisco também preparava a parte espiritual dos voluntários para começar a trabalhar com os pacientes. Formou o Grupo de Apoio aos Toxicomaníacos e Alcoólicos (Grata), inicialmente com dez pessoas envolvidas.

A fundação deste primeiro trabalho – que anos depois se tornaria a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus – ocorreu no dia 4 de outubro de 1985, com a celebração da Santa Missa, a colocação de um cruzeiro e a ligação da energia elétrica.


Providência de Deus

Com o terreno doado e limpo, faltava uma casa para que o trabalho começasse, mas não havia dinheiro. Em uma viagem a São José do Rio Preto, Frei Francisco viu, na Avenida Alberto Andaló, uma casa de madeira pré-moldada para mostruário. Ele imediatamente foi até a casa e perguntou o que seria feito dela quando fosse desmontada. Por uma ação da Providência, o dono do imóvel estava ali, e ao conhecer os ideais do jovem padre, doou a casa.

Em outra frente, os membros do Grata já se reuniam e começavam a falar com as pessoas sobre o futuro Lar. No grupo freqüentava diversas famílias que procuravam saber como era o trabalho a ser desenvolvido pelo Frei.

Aos poucos, a obra foi tomando corpo. No dia 13 de julho de 1986, estava tudo pronto para a inauguração do Lar. A filosofia de trabalho era calcada no tripé oração, trabalho e conscientização, e o processo de recuperação ocorria em três etapas: desintoxicação, conscientização e reintegração.

O primeiro grupo para a recuperação era formado por sete pacientes. Todo o trabalho era realizado por Frei Francisco e dois voluntários: Nilson Alberto de Ângelo e Gilmar Rodrigues dos Santos. As dificuldades foram muitas, mas o desejo de vencer foi maior. Frei Francisco foi conhecer trabalhos de recuperação e aos poucos adequou o tratamento para a realidade que enfrentava. Compôs uma equipe técnica com médicos e psicólogos, criou um Centro de Triagem – Ambulatório – para orientar as famílias e os pacientes. Percebeu a necessidade de um hospital, já que os pacientes enfrentavam muitos preconceitos para serem atendidos, especialmente quando surgiram os casos de HIV, em 1988.

Começaram os avanços. Aquilo que, no começo, as pessoas não compreendiam direito, foi se transformando em um modelo de atendimento. Muitas pessoas passaram a visitar o Lar São Francisco de Assis a fim de compreender o trabalho. Depois de quatro anos de muita luta e aconteceu o primeiro convênio com a Secretaria de Estado da Saúde e Ministério da Saúde.

A manutenção do trabalho se dava por meio de doações da comunidade. Em 1989, o Lar ganhou uma indústria de artefatos de cimento. Os pacientes produziam blocos, bancos, vasos e o próprio Frei com sua equipe ia até a cidade vender.

O sucesso do trabalho não fechou os olhos de Frei Francisco para as necessidades dos mais pobres. Além da dependência química, ele foi percebendo outra lepra: a doença. Dedicou-se, então, de corpo e alma, para a construção de um hospital geral em Jaci. E conseguiu construí-lo com o apoio da comunidade.

Abandonado nas mãos da Divina Providência, o padre seguiu o seu caminho de repetir o abraço de São Francisco de Assis no leproso de hoje. O bom trabalho, a administração segura e transparente e principalmente o amor dedicado a cada paciente fez com que o sonho de criança se transformasse em uma das maiores entidades filantrópicas do Estado de São Paulo. Hoje a Associação e Fraternidade contam com mais de 60 obras sociais, e inúmeros pedidos chegam dia após dia.

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