A cidade de São Francisco |
Sede da Fraternidade de franciscanos, em Jaci (SP), oferece oportunidades de recuperação para dependentes químicos |
Texto: JORGE FERNANDES
Um dos grandes parceiros em ações sociais da Congregação do Santíssimo Redentor (C.Ss.R.) da Província de São Paulo é a Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus. Sediada no município de Jaci (SP), a Fraternidade enxerga o problema da lepra (doença comum nos tempos de Jesus e citada nos Evangelhos) com uma lente de aumento. Esses franciscanos consideram como lepra hoje: as drogas, os enfermos, as crianças que moram nas ruas, os doentes crônicos e mentais, a miséria, a fome, o alcoolismo, as pessoas soropositivas, os portadores de necessidades especiais, os idosos abandonados, a mulher marginalizada.
“Nosso carisma é repetir o abraço fraterno de São Francisco de Assis no leproso de hoje”, afirma o superior Frei Francisco. Essa visão particular da lepra faz com que a Fraternidade concentre sua energia em diversas frentes de batalha. Eles gerenciam educandários, hospitais e centros de espiritualidade na busca de erradicar esses males.
A sede dos franciscanos é um verdadeiro quartel-general social de cerca de 130 alqueires localizado na área rural de Jaci. No lugar, que provavelmente será rebatizado de “Cidade de São Francisco”, funcionam dois projetos sociais voltados à recuperação de dependentes químicos e um centro de oração. Com os dependentes, sejam adultos ou jovens, há atividades profissionais. Eles recebem treinamento e são capacitados em serviços de marcenaria, reciclagem, fabricação de tijolos e consertos em geral.
O trabalho acaba contribuindo em duas frentes: além de servir como uma futura profissão aos reabilitados, a Fraternidade utiliza-se desses serviços como auto-suficiência. “Como administramos muitas obras sociais, quaisquer problemas como móveis quebrados, simples consertos, nós mesmos arrumamos”, explica Frei Francisco. A extensão da propriedade possibilita também o cultivo de eucalipto.
Entretanto, o que atualmente pode ser considerada como a “Cidade de São Francisco” começou com muitas dificuldades. A primeira era encontrar um lugar para servir como uma espécie de centro de reabilitação de alcoólatras e dependentes químicos. A segunda, ter condições de manter o projeto. “Passamos muitas dificuldades”, lembra Nilson Alberto de Ângelo, membro da coordenação da Fraternidade. Nilson sabe bem do que fala. Ele está ao lado de Frei Francisco desde o início, quando a idéia de realizar obras sociais ainda só estava no papel.
Um pequeno sítio foi doado. No local, sete adultos compunham a primeira turma de recuperandos. O trabalho continuava somente com adultos até que uma mãe avisou ao frei que eles deveriam atender os jovens também para evitar que chegassem à fase adulta como dependentes químicos.
A cada obstáculo, Frei Francisco mantinha a calma e dizia: “Deus vai providenciar”. “E Deus foi providenciando pessoas boas na nossa vida”, recorda-se. Graças ao trabalho de recuperação, muitos adultos e jovens reencontraram o sentido para a vida. Alguns continuam colaborando com a Fraternidade São Francisco, outros se afastaram. Mas a presença de todos permanece em cada um dos 130 alqueires.
Fonte: Jornal Santuário de Aparecida, nº 5.409, 8 a 14 de novembro de 2008
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